Thursday, September 17, 2015

Dois Corpos Tombando na Água - Alice Vieira


Comprado por confusão com O Que Dói às Aves, que teve uma passagem fugaz pelo PNL, este livro estava na estante há dois ou três anos, apesar de datar já de 2007. 

Sendo um livro de poesia não é de estranhar que estejamos longe, muito longe mesmo, da Alice Vieira de Este Rei que eu escolhi ou de Rosa, Minha Irmã Rosa, mais do que nos conteúdos, no público alvo.

O que surpreende é a forma como Alice Vieira relata naqueles versos uma relação entre dois apaixonados. Há ali todo um romance no feminino, feito de desejos e paixões mal escondidas, nada dos subterfúgios do exagero da poesia de Florbela Espanca, mas muito mais uma visão de uma paixão física, como que dois adolescentes, ou como jovens adultos que se descobrem num enorme poema escrito à luz do que Anaïs Nin chamou uma visão feminina do erotismo.

Fiquei maravilhado e cada verso pedia mais e mais e mais, desde o encanto da Primavera em Maio até às promessas que se sabem que nunca se cumprirão no Inverno. É difícil dizer tanto e tão curto espaço, mas até quando se repete Alice Vieira consegue dizer coisas novas. Uma obra imperdível.

Saturday, September 5, 2015

Citando Frank Herbert - Chapterhouse: Dune

Não há leituras neutras. Todas as leituras que fazemos sucedem num determinado contexto. Determinado em terminar a saga de Dune, depois da desilusão que foi Heretics of Dune, comecei ontem a ler Chapterhouse: Dune. Algumas das passagens ecoam através dos trinta anos entre terem sido escritas e os dias de hoje.

«"Enclosed," she said. "How tempting it is to raise high walls and keep out the change. Rot here in your own self satisfied comfort."» Darwi Odrade a falar para o ghola Miles Teg.

«"Enclosures of any kind are a fertile breeding ground for hatred of outsiders," she said. "That produces a bitter harvest."» Darwi Odrade a falar para o ghola Miles Teg.

«Rules build up fortifications behind which small minds create satrapies. A perilous state of affairs in the best of times, disastrous during crises.» Bene Gesserit Coda

«We tend to become like the worst in those we oppose.» Bene Gesserit Coda

Wednesday, June 24, 2015

Livro - José Luis Peixoto

Livro

Não consigo concordar com todos os grandes elogios a esta obra que li e são muitos. Não consigo concordar porque o que vi foi uma obra que podia ter sido grande e se perdeu em si mesma. Começa mal, acaba mal, mas o meio é bom. Na realidade, o meio é tão bom que toda a obra vive dele.

Tentando explicar os sentimentos contraditórios que me assolam, Quando digo «começa», não me refiro a toda a primeira secção do livro, mas sim ao arranque da narrativa propriamente dito, as primeiras vinte ou trinta páginas. Sim, a narrativa vai evoluindo em regressão (quem tiver nomes técnicos, a caixa de comentários está ali em baixo) de uma forma muito bem estruturada, mas com demasiado detalhe. Quero com isto dizer que temos grandes saltos temporais entre capítulos com o autor então a regredir na narrativa e a contar-nos como chegámos a aquele momento. No entanto há uma praga que infesta as páginas nesta fase, e essa praga são as frases sem sentido. Já li muito chouriço, mas há momentos nesta obra que fazem com que todo o chouriço da Roda do Tempo pareça bem empregue. Tendo uma visão muito utilitária, e quiçá injusta, da literatura, há passagens sem qualquer função no texto. Não contribuem para fazer evoluir a narrativa, não ajudam a caracterizar nenhuma personagem, nem ajudam a ambientar o leitor. Simplesmente estão lá. Istoé de tal forma evidente no primeiro quinto do livro, ao ponto de a leitura do primeiro «ano» dar a sensação de estarmos perante um autor de aforismas para partilhar no facebook e não a sensação de estarmos perante um artista da palavra.

De seguida, quando a fase da, chamemos-lhe inutilidade narrativa, termina, começa a fase em que se aprecia a escrita. Escorreita, fluída, magnética, quase que a antítese do que deixa para trás. Não que haja um momento em que se decida ser assim, simplesmente evolui. Este é o momento ao qual se retorna sempre que se pensa(r) nesta obra, é onde se vê o que o autor pode ser, o que consegue fazer. Os trechos que nos levam desde as apresentações na aldeia, até ao nascimento do narrador em Paris são uma história de amores desencontrados entre Portugal e os subúrbios de Paris nas décadas de 60/70, uma narrativa de encontros e desencontros, de saudades da terra, de jargão tão provinciano que aquela conversa poderia estar a ocorrer num café do interior, se os cafés do interior não estivessem abandonados. Só que sabe a pouco... O autor perde metade do livro a caracterizar personagens e depois mata a narrativa dessas personagens em meia dúzia de linhas. Sabe a pouco... Queremos saber mais. Depois do trabalho que há a caracterizar as personagens, depois de frases inúteis, depois de desventuras estéreis, depois de um suave encostar ao fantástico, queremos e desejamos que aqueles encontros e desencontros dêem mais voltas, queremos mais frases que tocam directamente nos sentidos, de tal forma que sentimos o ar da manhã numa quinta em Espanha ou o peso nas costas vergadas num abrigo em Champigny, queremos mas acabam-se por aí as frases magnéticas.

Acabam as frases magnéticas e começa um exercício literário que tenta tornar a obra uma enorme refererência circular. Falha não falhando. De facto confere uma circularidade à obra, mas a escrita perde as suas virtudes. O exercício não passa de um exercício quase que de snobismo. Quebra a leitura, quebra a apreciação que se faz obra por destoar dela. Rouba, qual filho, tempo e espaço ao que foi a narrativa anterior e faz-nos de facto retornar a um tempo em que as frases se limitam a estar lá, não cumprem função nenhuma, não caracterizam personagens, não nos localizam no tempo, apenas nos fazem folhear o livro à espera de ver o seu fim.

Quando releio o que escrevi acima penso como consigo avaliar positivamente o Livro. Páro e sem muito esperar a resposta surge-me à frente: porque quando é bom, Livro é muito bom e quando é mau, há muito piores exercícios de vacuidade literária.

Monday, May 11, 2015

O Retorno - Dulce Maria Cardoso

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Lembro-me de ouvir contar histórias sobre o que ficou para trás. Lembro-me de palavras estranhas ditas com um eco de saudade como nunca senti. Lembro-me de olhares vazios que viajaram quilómetros sobre as águas que distam desse lugar lá longe, esse lugar donde só conheci ecos da guerra civil, do lixo nas ruas, da profunda corrupção. Lembro-me de tudo, mas não vivi esses momentos, não os posso compreender. Só que Dulce Maria Cardoso viveu-os como quem me contou esses momentos. Viveu-os de forma diferente certamente, mas viveu-os, e nas suas palavras fui levado a recordar as tardes em que ouvia falar de Angola e do que lá tinha ficado.
 
Não posso puxar para mim e para os meus o drama que este Retorno conta, mas o tom, a saudade, a mágoa, relembro terem sido presença em várias ocasiões. Se mais nenhum mérito tivesse, esta obra teve o mérito de me explicar a minha História. Se mais nada me transportasse para o livro, pelo menos uma dívida de gratidão lhe seria sempre devida.
 
Só que a minha História, a que chamei de minha, não é bem minha. Ela é a de muitos mais, ela é a de uma ferida que para muitos nunca sarou, tantos os que ainda hoje se ouve lamentarem, tantos os que hoje ainda choram o que se deixou e amaldiçoam o que os esperava, tantos e tantos Ruis dessa vida, tantos e tantos...
 
O Retorno conta a história de uma família de Angola desde a Revolução até sensivelmente finais do Verão Quente de 1975. É a história de um pai que ficou para trás e de uma mãe que foge na Ponte Aérea com os dois filhos adolescentes e os tem de criar num hotel da Linha. Conta as desventuras de quem se tornou estrangeiro no seu país, terra que nunca vira e que em tudo é diferente do que sempre chamara seu, conta algumas aventuras e tudo faz sem juízos de moral.
 
Acima de tudo é a falta de juízos que se destaca na obra. Não é uma obra saudosista, não é um julgamento a ninguém, é um relato apaixonado das forças que então moldaram a nossa História. O Retorno é um livro de História. É um livro da História que a História nos ensinou a julgar com bons e maus, e é um livro que fala de pessoas, com virtudes e defeitos. Não há vencedores n' O Retorno. Nem derrotados. Há gente que perdeu coisas e ganhou outras e gente que pensando ter ganho acabou por perder. Há gente. Há um povo. Não há apontar dedos. Lemos toda a obra e ficamos sem saber o que pensar. Não há dizer que foi bom, que foi mau, que podia ter sido diferente e ao mesmo tempo há quem diga que aconteceu tarde, uns que nunca deveria ter acontecido e outros ainda que devia ter sido diferente.
 
É um livro com dores de crescimento. Um livro onde um adolescente tem de cortar com o seu meio e acaba transplantado para um mundo que não é o seu. Um adolescente de quem é tão fácil gostar como censurar. Há a irmã dele. Há a mãe dele. Não há mais do que a memória do pai levado num jipe pelos pretos porque ele não lhes fez frente, mas que vai voltar, tem de voltar... Há um hotel cheio de gente, um país cheio de um cheiro a liberdade mas ainda tão amarrado a preconceitos. Há medo do estrangeiro, em particular do estrangeiro que não o é. Há esperança num futuro melhor, mesmo quando são negras a nuvens no horizonte.
 
Há uma escrita apaixonada, que abraça o leitor, que conta a quem não viveu esse tempo o que como foi ter de o viver, que dá os sapatos dos que vieram a quem nunca teve de os calçar e lhes mostra quão largos ou apertados, quão frios ou confortáveis esses sapatos foram e no final diz que foi assim, já passou, olhemos antes para o future. É um livro invernal que nos fala de esperança. É um livro que nos dá um nó nas vísceras e do qual gostamos e o qual guardamos num lugar especial na estante e que queremos voltar a ler. Nem que seja para recordarmos aquela voz carinhosa, aqueles olhos quase humedecidos que nos falam do que era a vida em Angola.

Tuesday, April 21, 2015

O Diário Oculto de Nora Rute - Mário Zambujal



Gostava de fazer um longo texto sobre este livro. Gostava, mas não consigo. Provavelmente quem viveu aquele período conseguirá tirar muito mais do livro do que quem não era vivo na altura. É preciso haver uma certa dose de vivência pessoal para se conseguir perceber o que foi o ano de 1969 narrado pelo diário de Nora Rute, uma jovem vintona da classe alta portuguesa, que participou um ano antes no Maio de 68 em Paris, que foi rejeitada pelo seu pai por isso e que vive a idolatrar as mulheres mais progressivas em seu redor e a suspirar pelo seu Marcel.

Creio que a escrita fica aquém da Crónica do mesmo autor, mas a capacidade de Mário escrever a sério com um toque de humor, ou humor a sério, está lá. Está lá de tal forma que o livro se vai folheando sem se dar pelo tempo a passar. Para isto é determinante a estrutura de diário com capítulos de formato variável, num tom intimista que suga o leitor para o lado da personagem.

É um livro que se lê de uma penada, bem escrito mas que não entusiasma por aí além, com um final previsível desde cedo.

Thursday, March 26, 2015

Carrie's Story - Molly Weatherfield


No preâmbulo a Carrie's Story, a autora confessa que sempre se sentiu seduzida pelo mundo da submissão e dominação, desde que nos seus tempos de infância lera Sade e a História de O. Não surge assim como nenhuma surpresa que este livro, escrito por encorajamento de pessoas amigas, apresente largos ecos dessas experiências, em particular da obra de Pauline Réage. Não é fácil escrever sobre assuntos de alcova. Os Bad Sex in Fiction Awards são um bom exemplo de como a capacidade de descrever cenas de cariz sensual não anda de mãos dadas com as capacidades literárias do seu autor. Recentemente, um sucesso editorial, transformado em sucesso cinematográfico, levou-me a questionar sobre para quando o Bad Fiction with Sex Awards e cheguei à conclusão que precisava de algo que me restaurasse a fé que, numa era liberal nos costumes, há quem se saiba servir dessa liberdade para escrever bem sobre libertinagem. E assim chegamos a Carrie's Story.

Resumidamente, neste conto Molly Weatherfield dá-nos a conhecer a evolução de Carrie no mundo das relações de dominação-submissão. Carrie é uma jovem perdida, à beira de se licenciar num curso com que não se identifica e que faz biscates como estafeta para ajudar a pagar as conas. Certa noite deixa-se encantar por Jonathan, homem mais velho e assente na vida, numa festa e às três da tarde do dia seguinte embarca então na relação referida. O ponto de partida para o conto é no entanto o momento em que Jonathan lhe comunica que a quer vender num leilão. Segue-se então a analepse para a referida festa e o crescendo da relação, relação essa construída em fins-de-semana na mansão dele em que ele dita as regras e ela as segue. Quando retornamos ao ponto em que Carrie concorda com a proposta do leilão, o conto muda de rumo pela primeira vez.

Se até aí a narrativa envolvia pessoas externas ao duo e às práticas do duo, envolvendo frequentes desabafos de Carrie, a partir daí deixa de haver espaço para personagens fora da dinâmica de dominante-submissa. O que sucede é que Carrie se muda para casa de Jonathan para que este possa dedicar todo o seu tempo a treiná-la para o leilão. Na prática tudo se assemelha a Roissy, mas em fraquinho e intercalado com o espírito analítico de Carrie a tentar racionalizar todos os actos. Sabendo das influências, não surpreende tal paralelismo. O momento seguinte de quebra na narrativa surge com a necessidade de Jonathan se ausentar, muito contra a sua vontade, por motivos de negócios. Muito contra a sua vontade porque neste ponto tem de tomar uma decisão sobre o treino de Carrie, ou o interrompe, ou a passa para outro dominante. Adoptando a segunda opção, outra escolha se lhe afigura. Com quem deixar Carrie?

Jonathan gaba-se de conhecer "um tipo muito melhor de pervertidos" do que aqueles que estavam na festa em que se conheceram e esta crise na narrativa é o momento ideal para os apresentar. Por um lado temos a antiga dominante-submissa de Jonathan, uma autoridade junto da tribo e uma das mais exigentes dominantes, por outro um tipo que tem uma quinta onde treina póneis, e não, não estamos a falar de equídeos! Para efeitos de fugir a uma versão suave da História de O, a narradora opta por enviar Carrie para a quinta, num atrelado para cavalos, com palha e tudo. A mudança na narrativa neste ponto é interessante e será aqui que a maior parte das opiniões sobre o livro começarão a ganhar uma forma mais tangível, de tal forma as cenas que se passam na quinta, com a alimentação, a escovagem, o dressage, as cavalariças e ainda actividades com charruas e charretes a serem dedicadas a e executadas por os submissivos que ali vão a pedido dos seus dominantes. É aqui que uma mudança muito grande se dá na personalidade de Carrie em que ela abandona a sua racionalização e passa a reagir por instinto. Depois da quinta, ela vê o leilão como uma oportunidade de se livrar de Jonathan, um mau dominante demasiado perdido nos sentimentos amorosos que sente por ela. Saídos do picadeiro é fácil o leitor sentir que o adjectivo apaixonado, quando aplicado a Jonathan, tem uma conotação pejorativa. É esse todo o tom do texto e é difícil não alinhar com ele. É indiscutível que depois das cenas do picadeiro, tudo o que Jonathan faça empalidece por comparação, e queremos tanto como Carrie que venha o leilão. Antes do leilão temos somos ainda prendados com cenas saídas orgulhosamente de Roissy, com toques de século XXI. O leilão acaba por ser um pouco despachado, mas todo o treino e os cuidados com a mercadoria que o antecedem são uma boa leitura.

Pessoalmente gostei do que li. A nível de erotismo, quem não é adepto do binómio dominação-submissão terá dificuldades em se sentir particularmente excitado com este conto. No entanto, penso que a autora consegue transmitir bem o balanço de forças inerentes a essas relações. Comparando com a incontornável História de O diria que este conto é mais cerebral. Enquanto que no clássico francês há um foco muito grande no aspecto físico, nos abusos perpetrados, na violação consentida em que as vítimas se convencem que gostam de ser abusadas para tolerar a violência dos actos, nesta Carrie's Story há uma maior racionalização dos passos, uma violência muito mais escondida. Enquanto que é fácil no primeiro caso imaginarmos uma sociedade realmente secreta, a sociedade secreta desde conto parece muito mais de brincadeira, muito mais consensual, as vítimas neste caso são menos vítimas e mais participantes.

Ao nível da escrita é bastante apelativa, sem ser um daqueles livros que se largam com dificuldade. Não há um esforço por romantizar nenhum aspecto das relações e evita a adverbialização e adjectivação em excesso. No fundo, o livro cumpre a sua função de restaurar a fé que há quem saiba escrever bem sobre assuntos de alcova, passem os quase 15 anos desde que foi publicado, mas apenas pode ser um clássico dentro de uma comunidade com interesses muito específicos, faltando-lhe algo que o torne mais de interesse para o público em geral.

Monday, December 8, 2014

O Leopardo - Giuseppe Tomasi di Lampedusa


A narração do declínio de uma dinastia siciliana, na pessoa do seu último patriarca, salva-se acima de tudo pela articulação entre a famosa frase de Tancredi (Se vogliamo che tutto rimanga com'è bisogna che tutto cambi. - Se quisermos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude.) e de como cruamente o autor nos vai demonstrando tudo a arrumar-se em torno desta máxima numa Itália em estática mudança.

Na generalidade a leitura foi lenta e sofrida, em grande parte por achar que o foco em alguns aspectos se devia a factores que me transcendiam. Como exemplo surgem as descrições de salas e edifícios, que compõem uma parte substancial do livro, e as quais se percebe, pela adjectivação, pelo ênfase que se nelas se coloca e pelo uso velado da personificação, como os objectos são quase tão importantes como as gentes. Ora este aspecto leva-me a crer que esta é uma obra que pede forçosamente algum conhecimento do que foi a História italiana na última metade do século XIX para melhor se perceber o papel de cada personagem, objecto e lugar. 

À semelhança de muitos livros que leio traduzidos, neste fica aquela sensação de que a tradução terá estragado algo. Não quero com isto questionar o trabalho do tradutor, mas é uma tarefa ingrata e que pode estragar a experiência ao leitor, mesmo quando feita com amor e dedicação. Um conhecimento mesmo que elementar do italiano diz-nos que esta lingua tem um ritmo e uma sonoridade muito própria. Acontece que o italiano não é um italiano, mas muitos italianos. O que não será de certeza é o dialecto da Sicília, nomeadamente na viragem do século. Foi possível de ver, pela pontuação e algumas palavras usadas, qua havia algo sobre a respiração da obra que a tradução não conseguia passar e esse factor terá contribuído para uma menor apreciação da obra.

Pelo registo histórico e pela forma como representa a imutabilidade da natureza humana face às mudanças do poder em seu redor, a obra acaba por se destacar, no entanto o estilo não me apelou e a leitura que me proporcionou foi um tanto ou quanto sofrida. Penso no entanto que assim que tiver adquirido mais contexto para o texto, sou capaz de voltar a esta obra. Como disse, não gostei mas também não desgostei. Foi um pouco como estar numa sala onde todos falam de um tema que não conheço.